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As declarações do ex-prefeito de Cajazeiras, Zé Aldemir, contra a atual prefeita, Corrinha Delfino, durante entrevista à imprensa local, provocaram forte repercussão no cenário político do município e desencadearam manifestações públicas de solidariedade à gestora e de repúdio à postura adotada pelo ex-prefeito.
Durante a entrevista, Zé Aldemir utilizou expressões como “psicopata” e “bipolar” para se referir à prefeita. Em outro momento, ao mencionar a trajetória de Corrinha, afirmou: “Eu fiz ela de gente”. O ex-gestor também declarou que ela era “apenas tão somente uma professora”, fala que ampliou a controvérsia e provocou questionamentos sobre o desrespeito à trajetória profissional da atual prefeita.
Além dos ataques direcionados a Corrinha Delfino, a tentativa de diminuir sua profissão atingiu simbolicamente milhares de profissionais da educação da Paraíba. Professores e professoras desempenham um papel fundamental na formação de cidadãos e na construção da sociedade. Tratar a docência como uma condição menor representa desconsiderar a importância de uma categoria essencial para o desenvolvimento do estado.
A repercussão das declarações ultrapassou, portanto, os limites da disputa política local. Parlamentares, lideranças políticas e integrantes da população passaram a manifestar solidariedade à prefeita e a repudiar o tom das falas, reforçando a defesa do respeito às mulheres que ocupam espaços de poder e aos profissionais da educação.
Corrinha Delfino é mulher, mãe, professora e gestora pública. Sua trajetória profissional não pode ser utilizada como instrumento de desqualificação, assim como nenhuma profissão deve ser tratada como motivo de inferiorização. A divergência política faz parte da democracia, mas não elimina a responsabilidade de quem ocupa ou já ocupou cargos públicos de respeitar adversários e categorias profissionais.
O episódio acrescenta um novo capítulo ao embate político em Cajazeiras e levanta uma discussão que ultrapassa os interesses partidários: a necessidade de preservar o respeito no debate público. Criticar uma administração é legítimo; recorrer a ataques pessoais e desmerecer uma profissão exige uma resposta firme da sociedade.
A solidariedade manifestada à prefeita também se transforma em uma defesa da educação e dos professores paraibanos. Afinal, nenhuma divergência política justifica tratar como inferior a profissão de quem dedica a vida a ensinar e contribuir para o futuro de uma sociedade.

Daniel Olliveira
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